Ciclos Lunares e os Sete Reinos Sagrados

Ciclos Lunares e os Sete Reinos Sagrados

“O povo se prostrará diante do Senhor, à entrada desse pórtico, nos dias de sábado e de lua nova.” (Ezequiel 46, 3)

Estamos sujeitos em nosso planeta há vários ciclos naturais que exercem forte influência em nossa vida.

Muitos destes ciclos naturais são estudados pela ciência.

Pesquisadores da Universidade de Basel na Suíça estudaram o padrão de sono e níveis hormonais de 33 adultos em um laboratório de sono.

A proposta inicial do estudo não foi a de avaliar a influência da lua sobre o sono, mas anos depois, os pesquisadores tiveram o insight de fazer uma avaliação retrospectiva para ver se a fase da lua tinha alguma influência nos resultados.

A análise apontou que na lua cheia os voluntários tinham o sono mais superficial, demoravam cinco minutos a mais para pegar no sono e dormiam cerca de 20 minutos a menos. Além disso, na lua cheia os níveis do hormônio melatonina mostraram-se reduzidos.

Sabemos que a concentração da melatonina varia com o grau de luminosidade, mas o interessante é que o efeito lua cheia foi independente da luminosidade do ambiente, já que o estudo foi todo conduzido entre quatro paredes.

A melhor explicação é um ritmo biológico circalunar que já foi demonstrado em animais marinhos.

O estudo sistemático da organização temporal da matéria viva só recentemente ganhou importância na biologia e na ciência em geral. Mas ele tem muito a nos dizer sobre o entendimento da vida e inclusive sobre os aspectos práticos do nosso dia a dia, como seres vivos, como a definição dos melhores horários para dormir, estudar, tomar remédios etc.

A cronobiologia estuda os ritmos biológicos, assim como os relógios biológicos que geram esses ritmos.

Os ritmos biológicos (circadianos, infradianos e ultradianos) se manifestam em todas as variáveis de um organismo (moleculares, bioquímicas, fisiológicas e comportamentais) e em todas as espécies vivas, desde unicelulares até o homem. Esses ritmos são um componente fundamental dos seres vivos.

Cronobiologia

Os ritmos biológicos são classificados em três grupos. Os circadianos (circa, próximo; dies, dia) são aqueles ritmos endógenos que expressam um período de aproximadamente 24 horas (20h ± 4h).

Um exemplo é o nosso ritmo de atividade-repouso, diversos ritmos hormonais, o ritmo de temperatura corporal etc.

Todos repetem o ciclo a cada 24 horas. Os ritmos infradianos são aqueles que ocorrem em períodos maiores que 28 horas.

Um exemplo clássico é a reprodução estacional de alguns animais (com um período próximo de um ano), o período menstrual da mulher, de 28 dias, ritmos circalunares típicos de espécies que vivem próximo a costas etc.

Já os ritmos ultradianos são aqueles que têm duração menor que 20 horas. Diversos hormônios hipotalâmicos (o hipotálamo é uma região do cérebro responsável pelo controle da fome e sede, regulação da temperatura corpórea e síntese de alguns hormônios) são ultradianos, assim como nosso nível de consciência e atenção mostra marcados ritmos ultradianos: durante o sono, temos alternâncias regulares de diferentes fases (sono REM, sono não REM), ao mesmo tempo que durante o dia temos picos de elevada atenção, alternando com períodos de menor atenção ou até sonolência (a duração dessas alternâncias é de aproximadamente 90 minutos).

Na doutrina dos sete reinos sagrados, estudamos um ciclo muito importante que é o ciclo das sete forças primordiais.

Acreditamos que este ciclo setenário exerce uma influência muito grande sobre espíritos encarnados e desencarnados.

Este ciclo setenário, entre muitas coisas, é a origem das sete linhas da Umbanda.

Aos estudiosos interessados em conhecer melhor a relação do ciclo das sete forças primordiais e as Sete Linhas da Umbanda, sugerimos o estudo do primeiro livro que tratou sobre a Umbanda — O Espiritismo, A Magia e as Sete Linhas da Umbanda (1933) onde Leal de Souza apresenta pela primeira vez as Sete Linhas da Umbanda.

Este estudo deve ser realizado em conjunto com o livro do Primeiro Congresso de Umbanda  de 1941 onde estas sete linhas são ratificadas e também aconselhamos o estudo do livro Umbanda os Sete Reinos Sagrados (2007) de minha autoria.

Embora atualmente exista uma grande confusão sobre o conceito das sete linhas da umbanda, é importante chamar a atenção que o conceito das Sete Linhas da Umbanda, não é somente capricho de estudiosos e pesquisadores, mas resultado das influências de forças espirituais primordiais que são estudadas pela doutrina dos Sete Reinos Sagrados.

Hoje iremos estudar como este ciclo primordial setenário se relaciona com os demais ciclos existentes em nosso planeta.

O ciclo solar

Um dos ciclos mais importantes existentes no planeta Terra é o ciclo solar, responsável pelo dia e pela noite.

O Sol exerce uma influência muito grande sobre nosso planeta, é desnecessário afirmar que a vida existente na Terra depende totalmente da energia fornecida pelo Sol.

Este ciclo solar do dia e da noite é com toda certeza o ciclo mais importante existente no planeta Terra.

Durante o dia, a luz solar é intensa, e a maioria das atividades humanas são realizadas nestas horas. Já, durante a noite, as atividades humanas diminuem e uma grande parte da humanidade esta repousando e seus espíritos desdobrados.

Podemos perceber que o período diurno, de luz, movimento e energia, favorece  as atividades materiais.

Já o período noturno, de silêncio e escuridão, favorece todas as atividades espirituais; é durante a noite que dormimos e neste período nossa alma se liberta das amarras da matéria e desenvolve  atividades na dimensão espiritual (Orum).

O ciclo lunar

Outro ciclo muito importante, e com certeza o ciclo mais importante para todos os seres vivos após o solar, é o ciclo lunar.

As fases lunares foram percebidas e sentidas pelo ser humano, logo no início do desenvolvimento de  sua consciência.

Foi através da observação das fases lunares e dos ciclos solares, que o homem percebeu a importância dos ciclos setenários.

Muitas civilizações antigas criaram calendários lunares ou lunissolares, e todas as atividades religiosas ou profanas eram controladas pelos ciclos lunares.

Existem indícios que mesmo em eras pré-históricas, alguns homens já se preocupavam em marcar o tempo.

Na Europa, há 20.000 anos, caçadores escavavam pequenos orifícios e riscavam traços em pedaços de ossos e madeira, possivelmente contando os dias entre fases da Lua.

Há 5.000 anos, os Sumérios tinham um Calendário bem parecido com o nosso, com um ano dividido em 12 meses de 30 dias, o dia em 12 períodos e cada um desses períodos em 30 partes.

Há 4.000 anos, na Babilônia, havia um calendário com um ano de 12 meses lunares que se  alternavam em 29 e 30 dias, num total de 354 dias.

Os egípcios inicialmente fizeram um calendário baseado nos ciclos lunares, mas depois notaram que quando o Sol se aproximava da “Estrela do Cão” (Sírius), estava próximo do rio Nilo inundar.

Notaram que isso acontecia em ciclos de 365 dias. Com base nesse conhecimento eles fizeram um Calendário com um ano de 365 dias, possivelmente inaugurado em 4.236 AC.

Essa é a primeira data registrada na história.

Quando Cabral chegou por aqui, encontrou os nossos antepassados (índios) medindo o tempo pelos ciclos lunares. 

O Francês Paulmier de Gonneville na sua viagem ao Brasil em 1503-1504 teria levado no seu retorno à França, o filho do chefe dos Carijós, com a promessa de trazê-lo de volta no prazo de 20 Luas (Livro: Vinte Luas; autor: Leyla Perrone-Moisés; editora: Companhia das Letras).

O Calendário Hebreu possui uma sequencia de meses baseada nas fases da Lua, mas de tempos em tempos um mês inteiro é intercalado para o Calendário se manter em fase com o ano tropical.

O ciclo solar é um ciclo binário e constante, formado pelo dia e pela noite, pela luz e pela escuridão e repetitivo, um dia após o outro.

O ciclo lunar inicia-se com a lua nova e segue até a lua cheia, passando em seguida a retornar da lua cheia para a lua nova.

Ciclo lunar

A “Luz Lunar” tem sua máxima intensidade na Lua Cheia e vai aos poucos diminuindo de intensidade até a Lua Nova, quando começa novamente a aumentar de intensidade até atingir o máximo na Lua Cheia.

Sabemos que a Lua é um satélite natural do nosso planeta e que não possui luz própria, sua luz é fruto da reflexão da luz solar em sua superfície.

Através da intensidade da “Luz Lunar” podemos medir os ciclos lunares.

Se considerarmos que o ciclo lunar tem aproximadamente 28 dias (29,530 dias) percebemos que existe uma relação de 14 dias para o “crescimento” da lua e mais 14 dias para o ciclo minguante da lua.

Podemos dizer que o ciclo lunar é formado por dois ciclos: o crescente e o minguante.

Cada um destes ciclos leva aproximadamente 14 dias.

A muito tempo a humanidade percebeu que a Lua exercia uma profunda influência sobre as marés, as plantações e ciclos femininos.

A lua  foi logo relacionada com a energia feminina e o sol com a energia masculina.

Na doutrina umbandista dos Sete Reinos Sagrados, as sete forças primordiais, podem  ser relacionadas com os ciclos naturais do Sol e da Lua.

As vibrações dos sete reinos sagrados são forças espirituais que se manifestam no plano material e são universais.

Livro Umbanda os Sete Reinos Sagrados – Manoel Lopes

Os sete reinos sagrados, possuem a seguinte sequência, e são formados pelas forças:

1. Tatá Pyatã

2. Yby Pyatã

3. Ybitu Pyatã

4. Y Pyatã

5. Caá Pyatã

6. Abá Pyatã

7. Angá Pyatã

Sabemos que  a força Tatá Pyatã é a força existente no primeiro reino; o  Reino do Fogo.

Esta força é relacionada diretamente com a luz, com a energia solar, com o calor, com a vitalidade, o dinamismo, o movimento, a energia etc…

Portanto  esta força é relacionada com o dia e com a Lua Cheia.

No outro extremo das sete forças primordiais, encontramos o Reino das Almas e a força Angá Pyatã.

Sua cor é o preto, é a ausência total de luz, de energia e matéria, é o mundo espiritual, o desconhecido, os lugares sombrios, a depressão, a solidão, ausência de movimento, a morte, a velhice, o final de um ciclo etc…

A força Angá Pyatã existente no Reino das Almas se relaciona com a noite e com a Lua Nova também conhecida como Lua Negra.

O ciclo solar, do dia e da noite, se relaciona diretamente com o primeiro e o sétimo reino.

A vida e a morte, a luz e as trevas, o dia e a noite.

O dia se relaciona com o primeiro reino cuja cor é vermelha, é o Reino do Fogo, da força Tatá Pyatã, é a energia, a luz.

Favorece todas as atividades materiais.

A noite se relaciona com o sétimo reino cuja cor é preta, é o Reino das Almas, da força Angá Pyatã, é a morte, o desconhecido, a espiritualidade.

Este ciclo favorece as atividades espirituais.

O Ciclo Lunar e as sete forças primordiais

Vamos iniciar nosso estudo pela sequência dos sete reinos.

É no primeiro reino que encontramos a máxima energia luminosa.

Esta energia vai aos poucos diminuindo e sustentando a vida, até o sétimo e último reino, que é o Reino das Almas, onde não existe mais a matéria, mas somente o espírito. É a morte (da matéria).

Este ciclo se relaciona com o ciclo lunar que vai da Lua Cheia até a Lua Nova.

Quando o ciclo lunar chega no 14º dia, o ciclo se inverte, passando a seguir o caminho oposto.

Da Lua Nova até a Lua Cheia, encerrando o ciclo de 28 dias (mês lunar).

É fácil identificar que o primeiro ciclo, é o caminho da espiritualidade, do crescimento espiritual.

Este ciclo é indicado para todos os assuntos ligados com a espiritualidade, assuntos materiais perdem sua energia e sua força.

O ponto final deste ciclo, o ápice do ciclo, é a Lua Nova, conhecida como Lua Negra.

Este ciclo lunar é chamado, na doutrina dos Sete Reinos Sagrados, de CICLO LUNAR ESPIRITUAL ou Ciclo da Morte.

É um ciclo onde a energia material diminui.

Já o segundo ciclo, que vai da Lua Nova até a Lua Cheia, a energia lunar favorece as atividades materiais.

Neste ciclo a força lunar vai aos poucos aumentando, até atingir o máximo na Lua Cheia.

Este ciclo é recomendado para questões materiais e quando existe necessidade de fortalecer a energia.

Este ciclo é chamado, na doutrina dos Sete Reinos Sagrados, de CICLO LUNAR MATERIAL ou Ciclo da Vida.

É um ciclo onde a energia material aumenta.

Agora iremos relacionar os Sete Reinos Sagrados com os dois ciclos lunares.
Cada ciclo lunar dura 14 dias e trabalhamos com sete forças primordiais, é fácil verificar a relação de dois dias para cada reino.

Nestes dias a força daquele reino é mais intensa.

Ciclo Lunar Espiritual

Primeiro Reino – Reino do Fogo – 1º e 2º dias da Lua Cheia – Regência de Ogum

Segundo Reino – Reino da Terra – 3º e 4º dias depois da Lua Cheia – Regência de Xangô

Terceiro Reino – Reino do Ar – 5º e 6º dias depois da Lua Cheia – Regência de Iansã

Quarto Reino – Reino da Água – 7º e 8º dias depois da Lua Cheia – Quarto Minguante – Regência de Iemanjá

Quinto Reino – Reino das Matas – 9º e 10º dias depois da Lua Cheia – Regência de Oxossi

Sexto Reino – Reino da Humanidade – 11º e 12º dias depois da Lua Cheia – Regência de Oxalá

Sétimo Reino – Reino das Almas – 13º e 14º dias depois da Lua Cheia (Lua Nova) – Regência de Omulu

Ciclo Lunar Material

É o ciclo do crescimento da energia material, que começa na Lua Nova e vai até a Lua Cheia:

Sétimo Reino – Reino das Almas – 1º e 2º dias da Lua Nova – Regência de Omulu

Sexto Reino – Reino da Humanidade – 3 e 4º dias depois da Lua Nova – Regência de oxalá

Quinto Reino – Reino das Matas – 5º e 6º dias depois da Lua Nova – Regência de Oxossi

Quarto Reino – Reino da Água – 7º e 8º dias depois da Lua Nova – Quarto Crescente – Regência de Iemanjá

Terceiro Reino – Reino do Ar – 9º e 10º dias depois da Lua Nova – Regência de Iansã

Segundo Reino – Reino da Terra – 11º e 12º dias depois da Lua Nova – Regência de Xangô

Primeiro Reino – Reino do Fogo – 13º e 14º dias depois da Lua Nova (Lua Cheia) – Regência de Ogum

Associando as características de cada reino, com a energia crescente ou decrescente dos ciclos lunares e do ciclo solar, será possível programar as atividades espirituais ou de manipulação energética necessárias (Magia lunar).

Estamos desenvolvendo um calendário para o ano de 2022, onde todas estas forças estarão anotadas para que cada um possa utilizar estas forças naturais da melhor maneira possível, e organizar seus rituais umbandistas.

Sempre é atual lembrar que “Umbanda é coisa séria para gente séria” — Caboclo Mirim.

Saravá Umbanda!

Manoel Lopes

Artigo publicado na revista UMBANDA – Escola Iniciática do Caboclo Mata Verde – nº33 de Setembro/2021 – download no site do Instituto Mata Verde

Fontes:

Umbanda os sete reinos sagrados — Manoel Lopes

O espiritismo, a magia e as sete linhas da umbanda — Leal de Souza

Primeiro Congresso de Umbanda — Biblioteca do Núcleo Mata Verde

Revista Educação – https://revistaeducacao.com.br/2011/11/21/cronobiologia-os-ritmos-da-vida/

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