O CICLO LUNAR E OS SETE REINOS SAGRADOS

O CICLO LUNAR E OS SETE REINOS SAGRADOS

Apresento, a seguir, um texto destinado ao estudo e à reflexão dos iniciados na Tradição Espiritual dos Sete Reinos Sagrados. Ao longo do tempo, já tive a oportunidade de publicar neste blog diversos textos sobre esse tema; contudo, proponho agora um aprofundamento maior do assunto. A intenção é desenvolver, ao menos, três textos dedicados a essa abordagem.

Este é o primeiro material, no qual passo a tratar das relações existentes entre as sete vibrações primordiais e a dinâmica lunar. Em um segundo momento, serão estudadas, de forma mais aprofundada, cada etapa do ciclo lunar e as características indicadas para os diversos trabalhos espirituais.

Na Tradição Espiritual dos Sete Reinos Sagrados, a criação não é estática nem linear. Ela se manifesta por meio de ordem, ritmo e retorno. Nada surge de forma aleatória, assim como nada se perde definitivamente. Tudo segue ciclos naturais, à semelhança da Lua, que cresce, decresce, desaparece aos olhos humanos e volta a brilhar. O ciclo lunar, portanto, não é apenas um marcador de tempo, mas um espelho vivo da dinâmica dos Sete Reinos.

A sequência fundamental dos Reinos é fixa e imutável, pois representa a própria lógica da manifestação da vida:

Fogo → Terra → Ar → Água → Matas → Humanidade → Almas

Essa é a ordem pela qual a energia divina se densifica, ganha forma, consciência, vida e, por fim, retorna ao plano espiritual. A Lua não altera essa sequência; ela revela em que ponto do ciclo essa sequência está sendo vivida.

O Fogo como início da manifestação

O ciclo lunar começa simbolicamente no Reino do Fogo, associado à Lua Cheia. Esse é o momento de máxima luz, máxima visibilidade e máxima potência. O Fogo representa a ação, a vontade, o impulso criador e a irradiação da força divina no mundo. Tudo o que estava latente torna-se visível. É o ápice da manifestação.

No plano humano, o Fogo corresponde à decisão, ao movimento, à liderança e à capacidade de transformar intenção em realidade. Por isso, a Lua Cheia é tradicionalmente um tempo de trabalhos ativos, firmezas, movimentos espirituais e expansão.

O caminho de recolhimento: do Fogo às Almas

A partir da Lua Cheia, a luz começa a diminuir, e o ciclo entra em uma fase de interiorização. O Fogo cede espaço à Terra, onde a energia precisa ser contida, estruturada e organizada. Em seguida, passa pelo Ar, onde a experiência é pensada, compreendida e elaborada. Depois, desce para a Água, onde tudo é sentido, assimilado emocionalmente e integrado ao campo afetivo.

Na sequência, a energia alcança as Matas, reino da vida orgânica e da regeneração silenciosa. Aqui, o que foi vivido começa a se transformar em aprendizado vital. Depois, chega à Humanidade, onde a consciência reflete, assume responsabilidade e compreende o sentido ético da experiência.

Por fim, o ciclo atinge o Reino das Almas, correspondente à Lua Nova. Neste ponto, a luz desaparece completamente. Nada está visível, mas tudo existe em potência. É o retorno ao mundo espiritual, ao campo ancestral, ao silêncio profundo. Não é fim, mas recolhimento. Não é ausência, mas gestação.

A Lua Nova como portal espiritual

A Lua Nova marca o momento em que os Sete Reinos se recolhem no espiritual. O Reino das Almas não é morte nem vazio; é o campo onde tudo se reorganiza antes de renascer. É o lugar da memória espiritual, dos ancestrais, das forças invisíveis que sustentam a vida.

Doutrinariamente, este é um tempo de silêncio, escuta, limpeza profunda e conexão espiritual. Forçar ação neste momento é contrariar o ritmo natural da criação.

O retorno da manifestação: das Almas ao Fogo

Após a Lua Nova, inicia-se o movimento inverso. A energia espiritual começa a retornar ao mundo material, percorrendo os Reinos em sequência contrária, até culminar novamente no Fogo.

Das Almas, desperta a Humanidade, a consciência que começa a se perceber viva. Da Humanidade, a força desce às Matas, onde a vida se expande. Das Matas, flui para a Água, reacendendo os sentimentos e vínculos. Da Água, sobe ao Ar, organizando pensamento e direção. Do Ar, estrutura-se na Terra, ganhando forma e sustentação. Por fim, retorna ao Fogo, na Lua Cheia, onde tudo volta a se manifestar plenamente.

Síntese doutrinária

O ciclo lunar ensina que a vida é respiração: manifestação e recolhimento, ação e silêncio, luz e sombra. Os Sete Reinos não são estágios isolados, mas camadas vivas de um mesmo processo sagrado.

O Fogo manifesta.

As Almas recolhem.

Entre ambos, a criação aprende a existir.

Lembramos que, no Núcleo Mata Verde, possuímos sete graus de iniciação, os quais podem ser compreendidos como sete etapas formativas, nas quais diversos assuntos devem ser estudados e assimilados. O tema abordado nesta sequência de textos é direcionado aos iniciados do Sétimo Grau – Abaré Angá.

É importante lembrar, também, que disponibilizamos, no Módulo de Ensino a Distância, um curso dedicado à Magia do Tempo, do qual esses conhecimentos fazem parte integrante.

Compreender o ciclo lunar dos Sete Reinos significa aprender a agir no tempo adequado, respeitar os ritmos da natureza e alinhar a espiritualidade à própria ordem da vida.

Saravá!

São Vicente, 22 de janeiro de 2026


Manoel Lopes

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