O Que Representa o Grau 07 na Tradição dos Sete Reinos

O Que Representa o Grau 07 na Tradição dos Sete Reinos

Hoje realizaremos a iniciação ao Grau 07 – Abaré Angá, sacerdote das almas, na vibração de Pai Omulu. Este é o último grau iniciático dentro da tradição espiritual dos Sete Reinos Sagrados. Assim como nas demais iniciações, neste dia prestamos homenagem ao Orixá regente do reino correspondente, que neste caso é Pai Omulu, senhor do Reino das Almas.

O sétimo grau está diretamente ligado ao sétimo reino, chamado Reino das Almas. Este é o último dos sete reinos e representa o reino dos espíritos. Está relacionado à morte, à transformação, à deterioração, à transmutação, ao desconhecido e ao oculto. Porém, não devemos entender esses aspectos como algo negativo. Pelo contrário, tratam-se de processos naturais da vida. Tudo o que nasce passa por mudanças. Tudo o que se transforma evolui. E tudo o que aparentemente termina apenas inicia um novo ciclo.

Neste dia sagrado realizamos nossas oferendas com elementos naturais pertencentes aos sete reinos, escolhidos de acordo com a tradição dos sete reinos sagrados. Esses elementos devem vibrar na força primordial de Angá Pyatã, força que os iniciados conhecem, sentem e sabem identificar na natureza. Cantamos pontos sagrados, fazemos nossas orações, reafirmamos nossos juramentos e nos colocamos humildemente diante do sagrado. Batemos a cabeça em sinal de respeito e entrega, e recebemos do Dirigente a Guia do Grau 07, identificada pela cor preta, que indica o nível iniciático alcançado pelo discípulo.

Neste mesmo dia, o iniciado também recebe o elemento consagrado do grau, preparado durante o rito. No Grau 07, esse elemento é uma cruz de madeira, símbolo profundo de passagem, equilíbrio entre planos e união entre o mundo material e o espiritual.

Pai Omulu, também conhecido como Obaluaiê, é o Orixá ligado aos mistérios da vida e da morte, da doença e da cura, da deterioração e da regeneração. Ele rege os processos de transformação profunda. É, ao mesmo tempo, temido e respeitado, pois governa forças que fogem ao controle humano. No entanto, Omulu não é o senhor da morte no sentido destrutivo. Ele é o senhor da passagem. Representa a lei natural que conduz todos os seres pelo ciclo do nascer, crescer, transformar-se e retornar à essência.

No plano espiritual, Omulu é visto como o grande médico. É o curador silencioso, aquele que atua onde ninguém vê. Sua palha da costa, que cobre seu corpo, simboliza o mistério e o respeito diante do sofrimento humano. Ele trabalha nas linhas das Almas, promovendo limpeza energética profunda, descarregos e corte de miasmas espirituais. Está associado à terra, aos cemitérios, à noite e ao silêncio, pois nesses ambientes se revela o mistério da transição.

Se observarmos pela ótica biológica, podemos compreender seu simbolismo de forma ainda mais clara. O corpo humano vive constantemente processos de morte celular programada, regeneração e resposta imunológica. Sem a destruição do que está doente ou degenerado, não há equilíbrio nem saúde. Assim também atua Omulu: removendo o que precisa ser transformado para que a vida continue seu curso.

No campo psicológico, sua energia se manifesta nos momentos de crise, luto e dor. Ele ensina que o sofrimento pode ser instrumento de crescimento. Muitas vezes é na perda que aprendemos o desapego. É na doença que valorizamos a saúde. É na escuridão que descobrimos nossa própria luz.

Dentro da estrutura dos Sete Reinos Sagrados, Omulu representa o ponto final de um ciclo e, ao mesmo tempo, o início de outro. O Reino das Almas não é um fim definitivo, mas uma etapa de transmutação. Ele nos recorda que nada se perde; tudo se transforma.

Receber o Grau 07 é aceitar essa verdade com maturidade espiritual. É compreender que a evolução passa pela transformação interior. É reconhecer que a morte simbólica do ego abre caminho para o nascimento da consciência ampliada.

Omulu não é punição. Ele é purificação. Não é destruição. É renovação. Não é medo. É sabedoria profunda da natureza.

Que sua força nos ensine a transformar a dor em crescimento, a perda em aprendizado e o fim em novo começo.

Atotô, Omulu!

São Vicente, 01 de Março de 2026


Pai Manoel Lopes

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