O Reino do Fogo e o Despertar da Criação

O Reino do Fogo e o Despertar da Criação
O primeiro dos Sete Reinos Sagrados é o Reino do Fogo. Ele recebe esse nome por sua profunda similaridade com o fogo físico, o calor, a luz e as cores. Trata-se do reino inicial, o ponto de partida de toda manifestação, e essa posição já revela uma de suas principais características: a liderança, a energia inicial e o impulso criador que dá início a todos os processos.
Nesse reino destaca-se a força primordial, chamada na tradição de Tatá Pyatã. Essa força representa o princípio ativo que movimenta, aquece, ilumina e transforma. O calor, por exemplo, possui um enorme poder destrutivo, capaz de consumir e modificar a matéria sobre a qual atua. No entanto, é também por meio da energia térmica e luminosa que a vida e a própria matéria se manifestam no universo. Assim, o fogo expressa-se simultaneamente como força criadora e força transformadora, início e renovação, nascimento e mudança.
Um dos orixás mais queridos da Umbanda, Ogum, é associado a este reino.
Neste texto, porém, o foco principal está nas características da luz, um dos aspectos mais fundamentais do Reino do Fogo. É a luz que revela o universo, tornando visíveis as formas, as cores, as distâncias e os movimentos. Sem ela, não haveria percepção do mundo material como o conhecemos. Por meio da luz, medimos as distâncias no espaço, observamos estrelas, galáxias e corpos celestes e ampliamos nossa compreensão sobre a estrutura do cosmos.
Essas observações e medições só são possíveis graças a instrumentos desenvolvidos pelo ser humano, como telescópios e radiotelescópios, capazes de captar tanto a luz visível quanto as radiações eletromagnéticas invisíveis aos olhos humanos. Embora nossa visão esteja limitada a uma pequena faixa do espectro, a ciência ampliou consideravelmente essa capacidade por meio da tecnologia, permitindo o acesso a realidades antes inalcançáveis.
Quando falamos em forças primordiais, estamos nos referindo tanto às forças já reconhecidas pela ciência — como as ondas eletromagnéticas em suas diversas frequências — quanto às chamadas forças sutis, que ainda não são plenamente compreendidas pelo conhecimento científico atual. Essas forças sutis pertencem ao campo de investigação espiritual e filosófica e são abordadas, na tradição dos Sete Reinos Sagrados, de forma simbólica, vivencial e iniciática.
Dentro do espectro visível da luz, a Umbanda e a Doutrina dos Sete Reinos utilizam diversas frequências, que conhecemos como cores. Todas as cores têm sua origem no Primeiro Reino, porém cada um dos sete reinos absorve e irradia determinadas cores específicas. Na doutrina, essa organização se apresenta da seguinte forma: a primeira força primordial manifesta-se na cor vermelha; a segunda, no marrom ou laranja; a terceira, no amarelo; a quarta, no azul claro e seus tons; a quinta, no verde; a sexta expressa-se por meio de todas as cores reunidas na luz branca; e a sétima manifesta-se na cor preta, que muitos consideram ausência de cor, mas que é plenamente perceptível tanto pelos olhos humanos quanto por instrumentos científicos.
O uso dessas cores nas práticas internas da tradição espiritual dos Sete Reinos Sagrados pode produzir efeitos significativos na natureza, nas pessoas e na realidade sutil próxima à nossa dimensão. Trata-se de um conhecimento especial, transmitido aos iniciados logo no início de sua caminhada espiritual, sempre com responsabilidade, ética e discernimento.
No plano material, o uso das cores é estudado e aceito pela ciência há muito tempo. A ciência reconhece aplicações objetivas e comprovadas das cores em áreas como física, biologia, neurociência, medicina, psicologia, engenharia e tecnologia da informação. Nesses campos, a cor é tratada como um dado mensurável, reproduzível e testado experimentalmente, associado a mecanismos físicos e biológicos claramente definidos.
Sabe-se que a ciência não valida atribuições místicas fixas e universais às cores sem evidência empírica. No entanto, reconhece plenamente seu papel funcional, fisiológico e tecnológico. Dessa forma, torna-se possível compreender que o uso espiritual das cores pertence a uma linguagem simbólica e iniciática, enquanto o uso científico se fundamenta em métodos objetivos e verificáveis. Ambos podem coexistir de maneira harmoniosa, desde que cada um seja compreendido dentro de seu próprio campo de conhecimento.
Essa distinção clara possibilita um diálogo equilibrado e respeitoso entre espiritualidade e ciência, valorizando, ao mesmo tempo, a sabedoria ancestral e o rigor do conhecimento científico moderno. Em outro momento, será possível aprofundar de forma mais detalhada os usos da luz e das cores aplicados pela ciência e pela tecnologia contemporânea.
Saravá Ogum!
São José dos Campos, 02 de janeiro de 2026
Manoel Lopes

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