Entendendo as Reuniões do Núcleo Mata Verde

Entendendo as Reuniões do Núcleo Mata Verde

Este texto é para esclarecer uma dúvida que surgiu durante uma conversa com alguns filhos novos do Núcleo Mata Verde, que carinhosamente chamamos de Abá Guassu.

Embora a pergunta parecesse simples, percebi que ela é muito importante para quem está iniciando sua caminhada na Umbanda no Núcleo Mata Verde e começando o desenvolvimento mediúnico.

A dúvida era sobre como funcionam as reuniões do Núcleo Mata Verde e qual deve ser a postura dos médiuns em cada uma delas. Muitas vezes, quem está chegando observa médiuns incorporando diferentes entidades, vê reuniões acontecendo em dias distintos e acaba ficando em dúvida sobre o motivo de cada atividade.

Isso é perfeitamente normal.

Vou procurar explicar da forma mais simples possível.

No Núcleo Mata Verde, uma Casa de Caboclos, realizamos dois tipos de reuniões: reuniões públicas e reuniões reservadas.

Cada uma possui uma finalidade específica e ambas são igualmente importantes para o trabalho espiritual realizado pela nossa casa.

As reuniões públicas acontecem, normalmente, às sextas-feiras. Como o próprio nome diz, são reuniões abertas ao público em geral. Nelas, recebemos todas as pessoas que procuram auxílio espiritual, orientação, passes, consultas ou simplesmente desejam conhecer o trabalho desenvolvido pelo Núcleo Mata Verde.

Durante essas reuniões, quem realiza o atendimento espiritual são os médiuns que já concluíram seu período de desenvolvimento e estão preparados para trabalhar publicamente.

Esses médiuns recebem a designação de Abaré Mirim. Eles já passaram pelas etapas de aprendizado, educação e preparação mediúnica necessárias para exercer essa importante função.

Já as reuniões reservadas são diferentes. Como o próprio nome indica, elas são destinadas apenas aos filhos da casa. O objetivo principal dessas reuniões não é atender o público, mas preparar e aperfeiçoar os próprios médiuns.

Essas reuniões reservadas podem ser divididas em três grandes grupos.

O primeiro grupo é formado pelos estudos e orientações aos médiuns. Nesses encontros, aprendemos sobre a doutrina, a mediunidade, a disciplina, a ética e os ensinamentos da Tradição Espiritual dos Sete Reinos Sagrados.

O conhecimento é uma parte muito importante da formação mediúnica.

O segundo grupo corresponde ao desenvolvimento mediúnico. É nesse momento que os médiuns aprendem, passo a passo, a compreender e controlar sua mediunidade. Esse desenvolvimento é realizado sempre com os Caboclos, pois eles possuem uma atuação firme, equilibrada e educativa, conduzindo o médium com segurança durante essa fase de aprendizado.

O terceiro grupo é conhecido como passagem de linhas. Depois que o médium já adquiriu uma boa base no desenvolvimento com os Caboclos, ele começa a conhecer e trabalhar com as demais linhas espirituais que trabalham no Núcleo Mata Verde.

Entre elas estão as linhas de: Ogum, Xangô, Iansã, Iemanjá, Baianos, Boiadeiros, Cosme e Damião, Caboclos Bugres, Pretos Velhos,  Exus e Pombas-Giras.

Nesse ponto, é importante entender a diferença entre os nomes utilizados para identificar a fase em que cada médium se encontra.

O médium que está iniciando sua caminhada recebe a designação de Bojá Mirim. Ele ainda está em período de aprendizado e desenvolvimento. Nessa fase, participa das reuniões de desenvolvimento com os Caboclos, aprendendo gradativamente a educar sua mediunidade.

Quando esse período de preparação é concluído, o médium passa para a condição de Bojá.

A partir desse momento, inicia a passagem pelas demais linhas espirituais, ampliando sua experiência mediúnica e conhecendo as diferentes formas de atuação dos Guias.

Somente depois de concluir toda essa preparação e passar pelos ritos internos, o médium torna-se um Abaré Mirim.

Nessa condição, ele está apto a participar das reuniões públicas, incorporando para realizar atendimentos espirituais àqueles que procuram auxílio no Núcleo Mata Verde.

Existe ainda uma reunião muito especial realizada às quartas-feiras, destinada exclusivamente à Gira dos Guardiões.

Essa também é uma reunião reservada aos filhos da casa.

Nessa gira, somente os médiuns que já estão nas condições de Bojá e Abaré Mirim incorporam os Exus e as Pombas-Giras.

Os Bojás Mirins ainda não incorporam essas linhas. Eles participam da reunião como parte do aprendizado e podem, quando necessário, consultar-se com os Exus e as Pombas-Giras, recebendo orientação espiritual, mas não trabalham mediunicamente com essas entidades nessa etapa do desenvolvimento.

Essa organização não existe para criar diferenças entre os médiuns nem para estabelecer privilégios. Ela tem como finalidade oferecer segurança ao próprio médium e também aos Espíritos que trabalham na casa.

A mediunidade é um processo de crescimento gradual. Assim como ninguém aprende uma profissão em um único dia, também o desenvolvimento mediúnico acontece passo a passo, respeitando o tempo, a preparação e a maturidade de cada pessoa.

Podemos resumir o funcionamento das reuniões da seguinte forma:

  • Sexta-feira: reunião pública de atendimento espiritual. Incorporam os médiuns na condição de Abaré Mirim.
  • Quarta-feira: reunião reservada destinada ao desenvolvimento dos Bojás Mirins com os Caboclos e à Gira dos Guardiões, na qual os Bojás e Abarés Mirins incorporam Exus e Pombas-Giras.
  • Demais reuniões reservadas: estudos, orientações, desenvolvimento mediúnico e passagem pelas diversas linhas espirituais.

Cada etapa possui sua importância. O mais importante para quem está começando é compreender que não existe pressa. O desenvolvimento mediúnico é uma construção gradual, feita com disciplina, humildade, estudo, perseverança e confiança nos Guias Espirituais.

Quem respeita esse processo cria bases sólidas para exercer a mediunidade com equilíbrio, responsabilidade e segurança, tornando-se, no momento certo, um verdadeiro instrumento de trabalho da espiritualidade.

Saravá!

São Vicente, 23/07/2026

Manoel Lopes

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