Reencarnação – A metáfora da alma e a mosca

A mosca e o mel

A Umbanda é uma religião que acredita na reencarnação, mas existem diferentes interpretações dependendo da tradição seguida.

Algumas casas umbandistas influenciadas pelo esoterismo possuem uma forte influência hindu.

No Núcleo Mata Verde, não seguimos a umbanda esotérica, mas umbanda  iniciática e buscamos a verdade em várias fontes.

Vamos apresentar uma metáfora da doutrina Sankya para uma reflexão sobre a reencarnação.

Para aqueles que desconhecem sobre a escola filosófica Sankya, segue um breve resumo.

Sankhya é uma das escolas filosóficas mais antigas da Índia, que surgiu por volta do segundo milênio a.C.

É uma doutrina dualista que ensina que existe uma distinção fundamental entre o ser humano e o universo, e que o objetivo final da vida é alcançar a liberação da alma da materialidade.

A doutrina Sankhya é baseada em 24 princípios, incluindo Purusha (alma) e Prakriti (matéria).

Além disso, a doutrina também enfatiza a importância da discriminação e da prática da meditação para alcançar a liberação.

Discriminação significa a capacidade de distinguir entre o verdadeiro e o falso, o real e o ilusório.

Na doutrina Sankhya, a discriminação é vista como uma habilidade essencial para alcançar a liberação, pois ajuda a compreender a natureza da realidade e a separar o eu da matéria.

Meditação, por sua vez, é vista como uma ferramenta para alcançar a concentração e a calma mental, o que ajuda na prática da discriminação.

A meditação é uma prática importante para atingir o estado de consciência elevado necessário para a liberação.

Vamos à metáfora da alma e a mosca.

A alma humana é como uma mosca livre que viaja pelo ar, buscando a luz e o calor do sol.

No entanto, muitas vezes, essa mosca é atraída pelo mel, um líquido doce e pegajoso que representa o universo material e as suas tentações.

A mosca mergulha no mel, ficando presa em sua doçura e esquecendo-se da sua liberdade.

Assim como a mosca, a alma humana também é atraída pelo universo material, pelos seus prazeres e pelas suas sensações.

A alma se mistura com a matéria e se esquece de sua verdadeira natureza, ficando presa neste estado.

O resultado é o ciclo de nascimento e morte (reencarnações), que se repete indefinidamente, sempre trazendo dor e sofrimento.

No entanto, a doutrina Sankhya ensina que a alma pode se libertar da materialidade e retornar à sua natureza pura e eterna.

Para isso, é preciso desenvolver a discriminação e a prática da meditação.

A discriminação ajuda a alma a compreender a diferença entre o eterno e o transitório, entre a alma e a matéria.

De acordo com esta doutrina, a discriminação é o resultado de uma reflexão profunda e do estudo.

Aqui estão algumas formas de como a discriminação pode ser alcançada:

Estudo: O estudo dos conhecimentos espirituais e a reflexão sobre eles são importantes para a discriminação.

Estes estudos ensinam sobre a verdadeira natureza da alma e ajudam a compreender a diferença entre o eterno e o transitório.

Observação da vida cotidiana: Observar a vida cotidiana e as suas interações com o universo material pode ajudar a compreender a diferença entre a alma e a matéria.

É importante refletir sobre a impermanência do mundo material e sobre como ele não pode satisfazer as necessidades da alma.

Discernimento: A prática do discernimento é fundamental para a discriminação.

Isso envolve avaliar e separar o real do ilusório, compreender o que é importante e o que não é, e não se deixar levar pelas tentações do mundo material.

A discriminação é um processo contínuo e requer tempo e dedicação. No entanto, quando alcançada, ela pode ajudar a alma a compreender sua verdadeira natureza e a libertar-se da ilusão da materialidade.

A meditação ajuda a alma a concentrar-se na sua verdadeira natureza, a fim de purificar-se da ilusão da materialidade.

Assim, a alma pode retornar à sua liberdade, como a mosca que deixa o mel e voa livremente pelo ar.

A alma retorna à sua verdadeira natureza, à sua pureza e à sua eternidade, alcançando a paz e a felicidade duradouras.

Esta metáfora da mosca e do mel é uma bela ilustração da doutrina Sankhya e pode ajudar a compreender a jornada da alma humana rumo à libertação.

Você consegue encontrar alguns pontos de convergência com os conceitos ensinados em seu Terreiro?

O que você pensa sobre a reencarnação?

Deixe seus comentários no Blog.

Salve a Umbanda!

São Vicente, 31/01/2023

Manoel Lopes

Obs.: Texto inspirado na leitura de trabalho apresentado no livro “Primeiro Congresso de Umbanda”, disponível na biblioteca de e-books para download em https://www.institutomataverde.org.br/livros/

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